22° dia - 17/01/19

22° dia - 17/01/19
El Calafate a El Chalten
Quilometragem parcial: 214 km
Quilometragem total acumulada: 6.879 km 

Pela manhã, após abastecermos, me chamou a atenção lindíssimas rosas em frente a uma casa vizinha ao posto YPF. Grandes, cheirosas e bem cuidadas. Mereciam o registro. De lá circulamos pela avenida costaneira, que margeia o lago argentino repleto de aves e flamingos rosas e encontramos uma pracinha que as crianças fizeram questão de brincar. Aproveitamos bem o local. As crianças se divertiram. Aqui o título de melhor pracinha da Viagem. Almoçamos neste local e seguimos. Antes de sairmos de El Calafate dei uma parada uma livraria da cidade. Estava Interessado em livros sobre a Patagônia. A livraria era ótima e consegui diversos títulos. Comprei mais do que deveria e menos do que gostaria. Mas ok. É assim mesmo. Uma viagem amplia o escopo de compreensão e interesse com o conhecimento da história local, dos fatos curiosos e da origem de determinadas situações. Neste sentido sou muito curioso e a fonte para suprir esta insaciável curiosidade é a leitura. Me deleito em uma livraria, ao ponto de perder a noção do tempo. Mas enfim, livros comprados, seguimos nosso rumo, retomado a Ruta 40 no sentido Norte. O caminho pela 40 nesta altura é também lindo, com o lago Argentino e o Rio Santa Cruz de águas azuis incríveis, contrastando com a estepe verde Marron da Patagônia. Além de cochilas e Cerros com formações diferentes. Antes do acesso a cidade de El Chalten, paramos no famoso paradouro La Leona, onde conta a história, o agrimensor Perito Moreno teria sido atacado por um Puma, e por isso o nome do paradouro (hoje hotel), e do Rio que passa em frente, Rio La Leona. Me decepcionei um pouco com o local, pois pensava encontrar mais história. Encontrei nada mais que um ponto “normal”, que vende café (nem tão bom), e vende suvenirs. Na parede a Foto de Butch Cassady e a menção a ele ter estado e pousado neste local, fato não verdadeiro. A cronologia das datas faz ser Impossível está passagem. Mesmo assim continuam a reproduzir esta mentira, o que acho uma sacanagem. Mas vi também uma foto do cineasta Francis Ford Coppola no paradouro, este sim um fato verdadeiro. No mais decepcionado pois tinha a Expectativa de encontrar um “bolicho” repleto de wHistórias, mas não foi o caso. Seguimos com uma dúvida quanto ao nosso próximo destino. Entrar ou não entrar na cidade de El Chalten, a pequena cidade encravada em um canyon, na base do incrível monte Fitz Roy com seu 3.359 m.a.n.m, cuja formação surpreende pela verticalidade. Creio que esta montanha inspirou a Recente animação “Yete”, como o lar destes gigantes (quem assistiu o desenho animado entenderá o que estou dizendo). Seriam 90 km contra o vento e mais 90 km para sair. Somente esta visita demandaria 180 km a mais. Pensamos, conversamos e decidimos que valeria a pena ir até lá e fazer uma experiência de trekking com o Artur. El Chalten é a Meca dos escaladores e amantes do treikking. Diversas trilhas muito bem marcadas, com diferentes níveis de dificuldade estabelecem a cidade como um ponto para esta partida. A propósito, a cidade em si e sua localização neste espaço de Vale e Canyon, é algo extremamente diferente e interessante. Em minha opinião é a cidade mais bonita que visitamos, pela sua peculiar geografia e localização do seu assentamento. Lá, vc encontrará turistas do mundo todo, especialmente mochileiros. Havia uma trilha próxima a Cidade, chamada mirador de Los Condores que era de nível fácil de dificuldade, embora com uma interessante inclinação. Iríamos, eu e o Artur fazer este caminho. Ao chegar em El Chalten paramos no único posto de combustível na entrada da cidade, instalado em um container e conhecemos o frentista que ganhou o título de mais antipatico, arrogante, estupido e marrento de toda a viagem. Ganhou inclusive da “rainha da Inglaterra”, já mencionado aqui, lá no post de Ushuaia. Incrível a antipatia. Se graduou e pós graduou nesta arte. Foi perfeito neste quesito, ganhando o troféu “mais imbecil”. Estacionamos mais adiante em um estacionamento no lado oposto da rodovia que acessava o centro de informações na entrada da cidade. Neste local, indicado pelo IOverlander, vários outros overlanders do mundo todo estavam estacionados. O Artur, juntou seu “equipamento”, mochila, canivete suíço e a garrafa de água, colocou seu tênis e fomos ao encontro do mirador de Los condores. Seria uma caminhada de 1:30 entre ir e voltar. A trilha sobe até uma montanha de paredes verticais, que da uma incrível vista para a cidade e se tiver sorte verá condores nos ninhos deste paredão. No horário que estávamos indo, tínhamos também de bônus o espetáculo do por do sol se pondo atrás das agulhas do complexo de montanhas Fitz Roy, completamente esbranquiçadas. Somente o pico Fitz Roy pela sua total verticalidade não segurava a neve. Chegamos ao local, fotografamos e descemos. Infelizmente não avistamos condores, mas valeu muito a pena a caminhada e o Artur adorou. No Yete, o Davi montava seu Lego e a mamãe já concluía o jantar. Comemoramos o dia, e a decisão de termos vindo para este incrível local.

P.S: Infelizmente, viemos a saber depois, dois brasileiros que tentavam a escalada ao Monte Fitz Roy, no dia seguinte as 14:00, foram vistos pela última vez, descendo a montanha quando uma tempestade os alcançou. Desaparecidos, seus corpos foram avistados dia 26/01. Nestes locais não há perdão para eventuais ou simples decisões equivocadas. E a montanha passa a ser o túmulo de suas vítimas.
Abaixo link com toda a informação sobre este triste acontecimento:

21° dia - 16/01/19

21° dia - 16/01/19
El Calafate e passeio ao Glaciar Perito Moreno
Quilometragem parcial: 160 km
Quilometragem total acumulada: 6.665 km

Antes de qualquer coisa deveríamos providenciar um novo pneu para o Yete, pois o que nele estava ficou destruído. Conseguimos com apoio do administrador do camping, um local para comprá-lo. Conseguimos outra marca e não radial, que eu gostaria. Paciência, era o que tínhamos para o momento. Na sequência teríamos que encontrar uma “Gomeria” (borracharia), para efetuar a troca. Encontramos a partir de uma indicação, a Gomeria Gallardo, do Carlos, o “El Tucho”. Aí vcs imaginam onde nos metemos!!!! Pois bem. Era o que tínhamos também. O “El Tucho”, embora muito simpático não gostava muito de trabalhar. Logo deu para notar. Nem afrouxar os parafusos ele se prontificou. Sem cerimônia me alcançou as ferramentas, kkkk. Enfim. Mãos à obra. Ocorre que se aproximava também a hora do almoço, e o primeiro litrão de “Brahma” o aguardava. Então o trabalho foi feito a imagem e semelhança do que presenciava ali. Mas foi divertido. Troca feita, abastecimento de combustível feito, seguimos rumo ao Parque Glaciar Perito Moreno, distante 80 km de El Calafate, em uma estrada muito linda, dentro do parque com inúmeras curvas. Lá estacionei bem pertinho dos miradores principais, de frente ao glaciar e apreciamos mais uma vez deslumbrados esta maravilha incrível da natureza. Inexplicável este espetáculo proporcionado por este gigante glaciar que se movimenta e que se constitui no único que não tem mudado seu tamanho e características (os demais vem diminuindo seu tamanho). O Glaciar tem 244 km2 de área que se estende desde aproximadamente 3.000 m.a.n.m até 185 m.a.n.m na sua parte frontal. Tem uma largura no sentido leste oeste de 23,5 km desde o Certo Pitronelli que se avista logo atrás do glaciar dos mirantes (e já desde de El Calafate) e faz também divisa com o Chile, e no sentido norte, sul uma largura de 31 km até o limite com o Glaciar Frias. Na sua parte central tem 8 km de frente e se mediu uma espessura de 700 metros de gelo. O Perito Moreno da linha d’água até seu topo atinge a altura de 50 a 70 metros. E a profundidade no canal Lós Tempanos (em frente ao Glaciar), atinge 160 metros de profundidade, significando que o Perito tem aproximadamente 240 metros de altura de puro e massivo gelo. Impressionante. De onde o olhamos na parte do meio deste platô de gelo a distância de uma extremidade a outra é de 5 km (não parece, mas é sim tudo isso). O Glaciar se move 2 metros por dia, desprendendo a cada pouco toneladas de pedaços de gelo no canal do lago Argentino. São dimensões impressionantes, mesmo não sendo o maior Glaciar, título que pertence ao Glaciar Viedma. O Glaciares estão localizados no Parque Nacional Los Glaciares, que foi criado em 1937, o que possibilitou a proteção de uma grande área de gelo Patagonico Sul, conserva também os característicos bosques Andinos encontrados nos sopés das cordilheiras e a estepe Patagônica, além da riquíssima e incomum fauna Patagônica. São 726.900 ha preservados, se constituindo no mais extenso parque da Argentina, que a propósito possui inúmeros Parques Nacionais muito bem estruturado e protegidos, assim como no Chile. Na área de visita ao Perito Moreno, temos passarelas de alumínio muito bem conservadas, em vários patamares de altura e com diversas sacadas com bancos e algumas inclusive com vidros para proteger do vento. Muito agradável o passeio por lá. E merece um dia de apreciação com vagar e paz. Inclusive para flagar momentos de desprendimento de pedaços gigantescos de gelos de suas paredes, que causam estrondos monumentais parecendo trovões. Um espetáculo único. Conseguimos flagar duas quedas. Penso que o final da tarde estas quedas são mais propicias. Terminada a visita retornamos a El calafate para novamente ir ao mercado e começar os preparativos para o aniversário do Davi, que ocorre dia 20. Nesta noite estacionamos o Yete em um pequeno estacionamento onde costumam estacionar os overlanders, no centro de El calafate. Lá um MH alemão e duas kombis de brasileiros também estacionadas. A noitinha uma pequena caminhada pelo centro da cidade, porém os preços das loja e restaurantes é impraticável, em minha opinião. Muita exploração, tendo em vista ser El Calafate, junto com Bariloche (2000 km ao norte), os principais destinos turísticos da Argentina. Aí o pessoal explora mesmo. O dia foi ótimo e cheio de descobertas. Fomos dormir felizes com nossas conquistas e experiências neste dia.

O Espantalho da Velha 40

“O Espantalho” da Velha 40

Não sei se certo ou errado, mas estimulo muito junto aos meus filhos a fantasia, os contos, as histórias. Penso que a fantasia, especialmente nesta fase de suas vidas é uma argamassa importante para futuros indivíduos criativos. E o mundo precisará cada vez mais de indivíduos criativos. Portanto, não só histórias já existentes são contadas (aquelas do nosso tempo), mas também histórias e personagens são inventados ou incorporados à relatos, cujo protagonistas muitas vezes são eles em estórias de aventura por este mundo. Assim foram criados o “bichão papão da varinha de espinho”, personagem que habita o deserto Atacamenho, o Yete (figura (personagem)já existente, que incorporamos à nossas histórias e também utilizamos como nome de nosso MH), gigante que habita as montanhas geladas dos Andes, e agora o Espantalho da Velha 40. E esta história inventei após fotografar os sinistros espantalhos só vistos neste trecho, que decoravam alguns pontos da margens desta velha 40, a partir de Tapeki Aki. Ali tínhamos um pequeno conto e criava-se mais um personagem. Uma vez trocado o pneu e nós já instalados em um camping em El Calafate, contei aos garotos a história “do espantalho da velha 40”. Eles com os olhos arregalados escutaram:

“conta a história, que a muitos anos, na construção da Ruta 40, naquele trecho de Taipki Aiki, um dos trabalhadores queria tomar água e lanchar, pois estava muito cansado, com fome e sede. O chefe muito malvado não permitiu. Inconformado o operário foi até o refeitório e pegou um pedaço de pão. O chefe viu, e pra castiga-lo, o amarrou em um poste e lá o deixou. Muitos viajantes passaram e não o ajudaram. Então ele lançou uma maldição, antes de morrer, secar e virar um espantalho: todos que se avisados como nós fomos pelo frentista do posto em Taipki Aiki, para não acessar este trecho, e mesmo assim o fizerem, terão algum pneu furado ou algum problema mecânico”. É a maldição do espantalho da Velha Ruta 40, terminei a historieta com a voz sepulcral, deixando ambos impressionadíssimos.
Mais um personagem criado a partir de nossas viagens, que junto ao “bicho papão da varinha de espinho” e o “Yete”, permeiam o Imaginário e a fantasia dos pequenos astronautas, e que às vezes interagem com os super heróis da marvel ou da DC. Volta e meia estes personagens são no decorrer do ano tema de alguns papos.

20° dia - 15/01/19 - 3ª Parte

20° dia - 15/01/19 - 3ª Parte
Torres del Paine a El Calafate
Quilometragem parcial: 404 km
Quilometragem total acumulada: 6.505 km 


Muita sorte e o universo conspirando a nosso favor no avistamento do Puma. Até o final do dia esta maré de sorte viraria. Seguimos nosso caminho em estado de estase e com a imponência e beleza da natureza continuando a nos impressionar. Em dado ponto uma aglomeração da qual nunca havíamos visto de Guanacos. Creio que mais de 100, juntos, sentados tranquilamente. Pareciam domesticados. Mas na verdade esta amistosidade é conquistada em função deste santuário que os protege e portanto o ser humano aqui não os ameaça. Aqui Não possuem medo. Esta foi uma cena fora de série. Chegamos enfim a pequeníssima e super ajeitada Cerro Castillo, que também me surpreende, ao saber que pessoas vivem nestes Confins em casas boas e aquecidas. Política de assentamento do governo Chileno. Morar com os incentivos do governo Chileno nestes locais distantes e ermos significam para eles, “fazer pátria”. Em Cerro Castilho fica também passo Rio Dom Guillermo, onde atravessaríamos para novamente adentrar a Argentina. Trâmites feitos e alguns quilômetros de Rípio, nos colocaram pela primeira vez nesta viagem, na famosa Ruta 40, Carretera que corta a Argentina de Sul a Norte em paralelo à cordilheira dos Andes. A conhecida pela alcunha de “mítica Ruta 40”. Rodamos alguns quilômetros até Tapi Aike, um entroncamento, onde a velha Ruta 40 segue 65 km em Rípio. Rípio, uma estrada de pedras redondas, depois explico, é uma “entidade” aqui na Argentina. Neste local, onde existe um pequeno posto de combustível que em 2008 também paramos, está exatamente em frente à este entroncamento. Tínhamos duas opções: seguir pelo asfalto (novo traçado da 40) e fazer uma volta com 60 km a mais ou continuar na antiga 40 e economizar estes 60 km, com a desvantagem do Rípio. Perguntei ao frentista o estado do Rípio e ele não recomendou pega-lo, especialmente por estarmos nós, na concepção dele, com uma “camper”, que é diferente de um MH. Porém pensei: estou com um veículo 4x4, já havíamos pego mais de 300 km em Rípio. Nada absurdo. Creio que ele possa estar exagerando. Em 2008 fizemos este trajeto de moto e não achei tão ruim. Creio que dará certo. Resolvemos seguir este caminho de Rípio. Antes, busquei nas vitrines deste pequeno posto de combustível, algum vestígio de nosso adesivo de 2008. Não o estava encontrando. Perguntei a ele se os retiravam a cada tanto. Respondeu que não. Já desistindo de encontrá-lo, não é que ele aparece?! E em ótimo estado. Lindo de reencontra-lo. Parece bobagem, mas aquele adesivo tem muito significado e história. Feliz pelo reencontro, afixei o atual adesivo ao lado deste de 2008 (quem sabe em um futuro meus filhos os reencontrem?). Seguimos animados e felizes nosso caminho. Felicidade que durou pouco, logo que me dei conta da furada (literalmente) que foi, ter optado por este tramo. O Rípio estava horrível. O pior que já peguei. Seguimos devagar, com costeletas, pedras enormes, pedras pequenas, muito vento lateral em um descampado de estepe Patagônica sem fim. Finalmente ao final deste interminável trecho, alcançamos novamente o asfalto. No caminho, espantalhos muito sinistros guardavam a estrada. Mas eis que o rumo da nossa sorte (como mencionei no início deste texto) muda a poucos quilômetros de El Calafate, nosso destino neste dia. Um pneu furado, o segundo desta viagem, é o resultado da nossa escolha lá no entroncamento em Tapi Aike. Na verdade foi a “maldição” do espantalho da velha 40, história que contarei no próximo post.

20° dia - 15/01/19 - (2ª Parte)

20° dia - 15/01/19 - 2ª Parte
Torres del Paine
“Um inusitado e emocionante encontro”


Para deixarmos os parque deveríamos ir em direção a pequena Cerro Castilho onde havia o passo Rio Dom Guillermo, que nos faria novamente entrar na Argentina. Tínhamos ainda dentro do parque duas opções de caminho. Uma que margearia a vista ao maciço Paine, a outra onde poderíamos, se tivéssemos muita sorte, avistar algum Puma, ou seja território deste impressionante felino. O avistamento de um Puma é algo muito raro, especialmente se estivermos passando de carro, pois o barulho os afugenta. Sabíamos do quanto difícil seria, mas eu estava confiante e resolvemos pegar este caminho, afinal já havíamos almoçado de frente às Torres del Paine com todo seu colosso de pedra nos fornecendo junto com as nuvens, um espetáculo, Tentaríamos o território dos Pumas. Alguma coisa me dizia que avistaríamos. Fui andando devagar e observando tudo. Em certa altura, algo inexplicável aconteceu. Senti a presença dele(a). Parei o Yete, pois pensei ter visto a minha direita algo. E não é que a Adelaide de repente grita: “- ali na frente, na estrada!!!???” Estava lá ela com toda sua imponência e elegância. Embora eu tenha sentido a presença ao ponto de parar o veículo, não a havia visto. Foi a Adelaide quem primeiro a avistou. E estava lá ela, tranquila, desdenhando da nossa presença, como se dizendo. Aqui é meu território, sou eu no comando. Atravessou com vagar a estrada, depois voltou, olhou em nossa direção, seguiu o caminho de volta, e ficou um bom tempo se exibindo para nós, a não mais de 30 metros. Foi emocionante este encontro e ficamos todos, muito, muito felizes. Sei o quanto é raro este tipo de encontro. Emocionamos que estávamos, somente filmamos. Fotos não conseguimos. “O”, ou “A” Lindo(a) Puma nos deixou e seguimos nosso rumo com o coração acelerado.

20° dia - 15/01/19 - (1ª Parte)

20° dia - 15/01/19 - 1ª Parte
Torres del Paine a El Calafate

O parque Torres del Paine é o principal ícone da Patagônia Chilena. Criado em 1959 e declarado Reserva da Biosfera pela Unesco em 1978. Possui uma surperfíce de 242.242 ha, com um altitude que vai dos 200 m.a.n.m a 3.050 m.a.n.m, com o vertical maciço Paine. Possui três acessos, a portaria Rio Serrano, onde ontem entramos, mais ao sul e próxima de Natales, a portaria Sarmiento e portaria Laguna Amarga. Pois estávamos e pernoitamos neste incrível santuário conhecido como Torres del Paine, no início da trilha que leva ao mirador Grey. Depois de uma noite de muito vento o tempo amanheceu nublado, chuvoso e frio. Queríamos fazer a trilha até o mirante Grey, com cerca de 6 km. Nos arrumamos, nos agasalhando bem, e saímos. Logo a chuva começou a ficar mais forte. Havíamos andando pouco mais de 2 km e resolvemos por conta da chuva retornar, para que o passeio não se transformasse em martírio e ali na frente um forte resfriado. Resolvemos seguir viagem e percorrer o parque. E ele não cansava de nos deixar impressionados com suas lagoas azuis claras, seu multicolorido, e o colosso inacreditável do maciço Paine com seus picos que pareciam dentes de tubarão. Estacionamos o Yete em um mirante privilegiadíssimo, e pouco acessado, de frente ao gigante Paine e seus “cuernos”. E aos poucos as nuvens que o cobriam começaram a descortina-lo. Um estado de incrível deslumbramento e muitas fotos para tentar registrar está pintura divina. Tão lindo e tão duro, inóspito e ameaçador. Também a certeza do quanto à natureza pode ser tão absurdamente linda. Seguimos viagem com a certeza que Torres del Paine é certamente um dos locais mais surreais do planeta e que a estada aqui merece no mínimo 1 (uma) semana, explorando suas trilhas e recantos.

19° dia - 14/01/19

19° dia - 14/01/19
Puerto Natales a Torres del Paine
Quilometragem parcial: 107 km
Quilometragem total acumulada: 6.101 km

Hoje ingressaríamos no Parque Torres del Paine. Logo cedo providenciamos novamente mantimentos, abastecimento de diesel e água para então rumarmos a primeira atração do dia, a “Cueva del Milodon”, ou caverna do Milodon, uma imensa caverna onde foi encontrado um fóssil de um Milodon, uma espécie de preguiça gigante. O local é um ótimo programa para crianças. O Monumento Natural Cueva del Milodón foi declarado monumento natural em 1968. É formado por três cavernas e um conglomerado rochoso denominado “Silla del Diablo”. O interesse científico do lugar se dá pela descoberta em 1896 de pêlos, ossos e outros restos deste “Milodon”. Está localizado a 24 km a norte de Puerto Natales. Estima-se também que nesta caverna viveu o homem pré-histórico a aproximadamente 11 mil anos. Este famoso fóssil de Milodon foi também o mote do livro mais interessante e referência sobre a Patagônia, do famoso escritor inglês Bruce Chatwin, que em 1975, percorre a Patagônia, no rastro do local onde foi encontrado um pedaço de pele deste Milodon. Este pedaço de pele estava na casa de sua mãe na Inglaterra e foi presenteado por seu tio. Desde criança esta relíquia estimulou a imaginação de Bruce. Quando adulto empreitou uma jornada pela Patagônia, colecionando histórias. “Patagônia”, título do livro é uma obra interessantíssima e que deve ser leitura obrigatória a quem resolve conhecer esta parte instigante do Planeta. Enfim estávamos na famosa cova del Milodon objeto de busca de Chatwin, cujo livro li e reli desde 2008, quando também empreendemos nossa primeira viagem a estas terras. A principal caverna, a que visitamos, está próxima da portaria do parque, e para chegar a ela se caminha 350 metros em um “sendero” (trilha), muito bem estruturado. Lá na caverna uma réplica em tamanho real da preguiça gigante é ponto obrigatório das varias fotografias dos visitantes, incluindo esta família. Também a caverna instiga o imaginário das crianças, que querem saber quem lá morava, como eram seus hábitos, como se abrigavam, como enfrentavam o frio, como se alimentavam, como morreu o Milodon, quais outros animais ou fósseis estão lá enterrados? Terminada a visita tomamos um café na lojinha de suvenirs na entrada do parque. O primeiro “assalto” da viagem. Sem nos darmos conta, pagamos 3.000 pesos chilenos, ou 18,00 reais por um médio copo de café. Fiz e refiz a conta, pois não acreditava. Pedi para o atendente converter em reais e para ele deu 19,00. Incrível. Fica o alerta. Nestes locais de turismo intenso, o nível de exploração vai ao espaço. Mas enfim, relaxar e apreender. Da cova seguimos rumo ao Parque Nacional Torres del Paine, entrando pelo acesso portaria Serrano, a alguns km da cova, por estrada de Rípio. Logo se percebe a grandiosidade e impressionante beleza deste lugar. Se tentássemos criar ou pintar algo assim, não faríamos tão lindo e perfeito. Por esta entrada uma boa opção para o pernoite seria no espaço do acesso ao mirante Grey. No caminho chamou a atenção um destes picos lembrando o rosto de uma pessoa. Creio que seja o pico “cabeza del índio”. Impressionante a semelhança. Chegando lá estacionamos o Yete, e eu o Artur saímos para explorar as trilhas próximas. O pouco que caminhamos só confirmava o quão impressionante é o local. Estávamos próximo do glaciar Grey e na lateral da “Torre del Paine” e dos “Cuernos del Paine”. No retorno de nosso passeio pela trilha próxima ao local onde dormiríamos, o jantar já estava pronto. Amanhã seria dia de percorrer este santuário.

18° dia -13/01/19

18° dia -13/01/19
Bahía inútil a Puerto Natales

Quilometragem parcial: 444 km 
Quilometragem total acumulada: 5.994 km

A Única colônia de Pinguins Reis fora da Antártica, em terras continentais, ficava a 1 km de onde pernoitamos, as margens da Bahia Inútil, em uma propriedade particular, que explorava agora comercialmente as visitas. Porém todo o local tendo o monitoramento dos órgãos ambientais do Chile. O curioso nome Bahia Inútil, assim como diversos outros nomes depreciativos para as enseadas e Bahias da terra do fogo e do estreito de Magalhães, decorre da animosidade destas águas para a navegação. Especialmente em função dos perigos de um mar violento devido aos ventos fortíssimos e constantes desta região. Na Bahia inútil, soma-se a isso, o fato de as águas serem rasas nesta Bahia, ou seja, inúteis para a navegação e atracamento. Neste local, nesta propriedade, que possui um pequeno canal em paralelo ao mar, em torno de 100 indivíduos pinguins reis, resolveram em 2012 se instalar. Os donos da propriedade em um primeiro momento observaram com ceticismo. Pensavam ser um porto passageiro e de descanso desta colônia. Porém eles não deixaram o local, fazendo com que os proprietários da estância acionassem os órgãos ambientais. Alguns anos depois, comemoravam o nascimento do primeiro filhote nesta colônia. De lá para cá, esta “turma” de simpáticos pinguins não para de crescer. O frio e o vento do local deixavam a temperatura com baixíssima sensação térmica. A colônia está a cerca de 40, 50 metros dos locais de observação construídos para possibilitar sua visualização. Duas super lunetas permitem vê-los com precisão e detalhe. Se tiveres uma câmara fotográfica com bom zoom ou binóculo poderá ver detalhes da sua pele e coloração que são lindas. Impressionante. O melhor horário para vê-los é pela manhã, quando o sol está ainda no sentido leste. A tarde terás dificuldade, pois o sol fará contra-luz, já se posicionando no sentido oeste, se deitando no Pacífico. Recomenda-se na entrada, máximo silêncio para não importuna-los. Estão lá, ampliando a prole, se deleitando no sol. Lindos. Também a paisagem da mais crua estepe Patagonia com a Bahia revolta, é em minha opinião outro espetáculo. Como pode a Patagonia ser minimalista e superlativa ao mesmo tempo??? Talvez ai esteja a sua magia. Este lugar me intriga e me atrai. Me pergunto como foi e é as rotinas dos homens que aqui vivem? Especialmente no inverno? A visita ao parque particular pinguim Rey custa 12.000 pesos chilenos, ou 72 reais por pessoa (muito caro em minha opinião), e requer um pequeno desvio de 10 km em bom Rípio da Y 257, ruta principal que liga Bahia Azul ao passo San Sebastián. Apesar do preço, recomendo a visita, pois para ver ao vivo esta espécie de pinguins, somente nas ilhas Malvinas, Geórgia, ou na Antartica. Portanto para quem estiver aqui, vale o desvio. Mas atentem para os horários. O parque funciona das 11:00 as 18:00. Terminada a visita seguimos rumo a Balsa do estreito de Magalhães, na Bahia azul. Também conseguimos entrar imediatamente, estando o canal relativamente tranquilo (relativisem o tranquilo. Tranquilo aqui já significam ondas enormes. Não tranquilo, significa canal fechado para o translado). Travessia feita, estacionamos ao lado do restaurante do estreito. Lá almoçamos tarde, pois também o café havia sido tarde, afinal tivemos que aguardar até as 11:00 para abertura do parque Pinguim Rei. Seguimos viagem com um fortíssimo vento nos segurando. Em San Gregorio, um minúsculo posto de combustível as margens da rodovia, abastecemos. Levou tempo, pois uma fila de motos e veículos aguardava. Todos que haviam saído do estreito. Há que se cuidar muito por estas bandas (especialmente de moto) quanto a abastecimento. São raros os postos e consumo aumenta drasticamente em função dos ventos. Quem está de carro também não deve facilitar. Eu levo 22 litros em um galão reserva. Ainda não precisei usar, e creio que não precisarei, mas me deixa mais tranquilo, afinal, vale a pena prevenir. Não se recomenda ficar sem combustível nesta imensidão de pouco movimento de pessoas e vento insano. Queríamos chegar em Puerto Natales e ainda tínhamos um bom trecho. No caminho o monumento ao vento, comprovando que este personagem é uma instituição por estes Confins. Quase decidimos ficar em um Pueblo chamado Teuelches a cerca de 150 km de Natales, mas resolvemos fazer o sacrifício e rodar até Natales. Este Pueblo Teuelche, antigo povo indígena da região, teve sua arena de rodeios incendiada a alguns anos em função de um cicloviajante de forma involuntária tê-la incendiado. Também os ventos amplificaram o poder de destruição do incêndio. Lá eles não simpatizam com viajantes por lá pousando, em função deste triste episódio. Chegamos ainda a luz do dia em Puerto Natales, recepcionadas pelo Milodon, no trevo de acesso a cidade. Estacionamos por sugestão do IOverlander no parking de um centro de informações a margens do canal que banha a interessante cidade de Natales.

17° dia - 12/01/19

17° dia - 12/01/19
Ushuaia a Bahia Inútil (Parque Pinguino Rey)
Quilometragem parcial: 358 km
Quilometragem total acumulada: 5.550 km 

Dia de nos despedirmos de Ushuaia. Como não poderíamos rodar mais para o Sul, era hora de inverter o leme na direção norte, voltando pelo mesmo caminho dentro da Terra do Fogo que nos trouxe até aqui, ou seja a Ruta 03, onde ainda estaríamos por pouco tempo. Chegava a hora da despedida desta por nós respeitada e amada Ruta. O dia amanheceu fechado, ventoso e as montanhas que circundavam Ushuaia, esbranquiçadas pela neve da noite anterior. O frio estava realmente muito intenso e se agravava com o vento. Os ossos congelavam. Abastecemos na saída da cidade e tomamos um café para aquecer. O frentista dizendo que hoje estava lindo, pois até ali havia feito muito calor. Achei que estava de gozação, mas falava sério. No pórtico da cidade um policial nos parou. Avisou gentilmente que a sinaleira estava queimada e que poderíamos nos incomodar mais para frente. Pedi a ele alguma referência de local para trocar a lâmpada e ele nos indicou exatamente o posto YPF que estávamos a pouco. Retornamos e averiguamos se o local possuía. Fui abordar o atendente da loja de “repuestos”, “simpático” como o personagem “tolerância zero” de um antigo programa humorístico. Ou se achava a rainha Vitória. Enfim, confirmou que possuía, mas precisava saber qual era o modelo. Tivemos com este frio de enreguelar pinguim, onde os dedos ja haviam a muito perdido a sensibilidade trocar a lâmpada, que impressão minha ou efeito da temperatura, parecia estar no local mais inacessível possível. Certamente os engenheiros da Ford não precisaram trocar uma lâmpada do farol do veículo, no frio do fim do mundo. Enfim, farol trocado, seguimos viagem, nos despedindo da contraditória Ushuaia. O café da manhã das crianças ocorreu em Tolhuim. O vento novamente extremamente forte (mais do que o normal). Novamente no Passo San Sebastián. Despedida da Ruta 03 (para mim um até breve). Deste ponto em diante rodaríamos por rutas Chilenas até a altura de Torres del Paine, onde lá engrossaríamos novamente na Argentina, pela Ruta 40. Na aduana Chilena, eu e o Artur abrimos as portas do MH ao mesmo tempo. Foi o suficiente para tudo que é papel voar com a força incrível dos ventos. Consegui ver o papel higiênico que estava na lateral do carona, fazer piruetas no céu, tipo aquelas ginastas olímpicas, que dançam fazendo acrobacias com aquelas fitas. Nos perguntávamos até onde voaria este papel higiênico? Cruzaria o Altântico?, kkkk. O Artur conseguiu ser o “The Flash” na captura dos mapas e outros papéis. Nada importante se perdeu, mas ficou o apreendizado de nunca, mas nunca mesmo, abrir simultaneamente as portas de um veículo na Patagônia. A não ser que tenhas contigo um filho com o poder da super velocidade, do contrário nunca mais verás o que saiu voando. O destino de hoje foi descoberto no decorrer da viagem e despertou interesse pela curiosidade das crianças nas diversas espécies de pinguins existentes (existem 18 espécies). Descobrimos que existe uma colônia de pinguins reis (uma versão um pouco menor do pinguim imperial, retratada na animação happy feat, que se instalou na Terra do Fogo. A Única colônia de pinguins reis em solo continental. Seu habitat natural é a Antártica. Portanto, nosso destino hoje seria a Bahia Inútil, em pleno deserto Patagonico da Terra do Fogo, onde dormiríamos, com o vento chacoalhando nosso Yete, Guanacos e Zorros nos rondando, e mais dois Motor Homes alemães as margens do Rípio deste campo de estepes patagônicas.

16° dia - 11/01/19

16° dia - 11/01/19
Ushuaia
Dormimos mais que o que normalmente dormimos, pois queríamos descansar. Ficaríamos mais um dia em Ushuaia, passeando de forma tranquila pelo seu centrinho e visitando o museu do presídio. Amanheceu com o céu escuro e fechado e um frio cuja a sensação térmica era próxima de zero. Adelaide foi atrás de uma “panederia” para comprar pão para o café da manhã. Durante a noite fizeram companhia ao Yete mais um MH Alemão e outro Francês, se juntando ao americano que já lá estava. Conhecemos a família Francesa que adquiriu aqui na América do Sul seu Motor Home de outro conterrâneo francês. Estavam já a 18 meses viajando pelo continente, tendo ficado 3 meses pelo Brasil. Um casal e dois filhos, um de 10 e outro de 7 anos. Diferente do Brasil, que ainda possui um ranço do estado super provedor, estes países Europeus permitem, dentro de critérios e escolas credenciadas, que seus filhos sejam educados na estrada ou mesmo em casa, metodologia chamada Homescholling ou Roadscholling. No Brasil, a esquizofrenia do ente público e o corporativismo, somados a uma arrogância intelectual dos especialistas do meio, não possibilitam esta metodologia, impedindo que a legislação avance. Imaginem o quanto estas crianças, podem relacionar o conhecimento teórico com as experiências vividas nas estradas. Consigo ter uma ideia do poder de aprendizagem nestas curtas janelas de viagem que temos. O quanto as crianças apreendem na prática diversos assuntos de inúmeros campos de conhecimento. Saímos um pouco antes do meio dia a caminhar pelo centrinho de Ushuaia, com suas lojas de suvenirs, restaurantes, agências e cafés. Tudo preparado para angariar do turistas, incluindo nós, deslumbrados com o meio. Almoçamos um um restaurante italiano chamado Villagio, sendo sua especialidade Centoullas, uma lagosta enorme, que era exposta viva em um aquário na vitrine do restaurante, aguardando o cliente escolher uma para o seu deleite. Os meninos, especialmente o Artur, ficaram muito impressionados com estes grandes animais. A pergunta era se esta centoulla seria o “Siri Cascudo”, chefe do “Bob Esponja”, personagem do desenho animado que eles curtem demais. Após o almoço fomos até o museu do presídio, e também museu marinho de artes e antártico, estando todos estes neste complexo de galerias dispostas em forma de estrela. Museu do presídio por exatamente ser o antigo presídio de Ushuaia, onde os detentos de média e alta periculosidade eram trazidos e colocados à trabalhar na extração de madeiras. O complexo prisional impressiona, como também as diversas histórias relacionadas a este tempo. Hoje esta fortaleza não mais tem a função de aprisionar, mas sim de libertar conhecimento, arte e cultura. Muitíssimo interessante e recheadíssimo de história esta exposição. Merece um dia de visita com vagar e sem a impaciência das crianças. Em 2008 já havia achado o máximo, e voltei a me surpreender. Um gosto de quero mais ficou. Ainda quero voltar. Após a visita, momento para darmos uma espiadela em algumas lojas de suvenir e eu especialmente adquirir os livros que no caminho de ida ia selecionando (infelizmente ou felizmente tenho este vício, incontrolável: a curiosidade, só saciada ou melhor, aumentada, com a leitura); também compramos duas placas para ornar nossa garagem: uma alusiva a Ruta 03, e outra alusiva a Ruta 40, além de uma bandeira da Terra do Fogo, para incrementar nossa coleção de bandeiras, outra fonte de conhecimento e estudo. O passeio que havia começado as 11:00 da manha terminou às 21:30, com o sol ainda alto (aqui se põe as 23:00, ou seja, inicia 5:45 e se põe as 23:00, ou seja, 17 horas de luminosidade e as 4 estações em um dia, com a possibilidade de neve no verão). Fomos dormir felizes com o ótimo, leve e divertido dia que tivemos. O clima e a temperatura também ajudaram muito, estando agradabilíssimo e o céu azul, após um amanhecer escuro e gelado. Um friozinho gostoso com o solzinho nos davam aquela sensação de bem estar.

15° dia - 10/01/19

15° dia - 10/01/19
Rio Grande a Ushuaia

Quilometragem Parcial: 240 km 
Quilometragem total acumulada: 5.192 km


Chimarrão, Desayuno, abastecimento de combustível e água, limpeza de cabine e casa, e finalmente seguir viagem com as crianças ainda dormindo. Paramos a meio caminho na cidade de Tolhuim, em um posto YPF. As crianças acordaram tão tarde, que o café já foi almoço. A partir de Tolhuim, a cordilheira dos Andes se apresenta, esparsa e espalhada, sem estar em linha como no restante da América. Ali termina ou ali começa, como queiram. O fato é que as montanhas de gelo eterno estão ali muito próximas. A partir deste ponto, tanto o relevo como a vegetação mudam drasticamente. Árvores de tronco lenhoso, rios sinuosos, pradarias e montanhas de picos nevados, vales encharcados, um sobe e desce, passam a ser a nova realidade. Um espetáculo de estrada deste ponto em diante. Uma curiosidade do caminho são as árvores cortadas, destruição feita por castores, um animal exótico, uma verdadeira praga nesta região, que tem causado grande destruição. Introduzido no início do século, a partir de uma importação do Canadá, de onde são nativos, se espalharam pela terra do fogo. A destruição não se dá somente pelo corte das árvores, mas pelo represamento dos rios com seus diques, encharcando os vales, matando a vegetação. A intenção da exportação deste grande roedor era a de explorar a venda de sua pele, de grande valor comercial. Porém na Terra do fogo não fazia frio suficiente o que os adaptou com uma menor quantidade de pelo, baixando enormemente seu valor comercial, frustrando a iniciativa, deixando um legado de destruição. Hoje o castor é combatido e sua população já reduziu drasticamente. Finalmente chegamos a Ushuaia, que nos pareceu ainda maior que em 2008. Um crescimento desordenado. A cidade na sua periferia não é bonita. É desorganizada e feia. Resolvemos por ainda ser cedo, seguirmos até o Parque Nacional Terra do fogo, onde Ruta 03 encontra seu final. Dali em diante não é possível seguir com automóvel. O Final da Ruta 03 fica na Bahia de Lapataia, um dos canais e entrâncias dos diversos fiordes que abundam nesta parte do planeta. Pousamos para foto junto a famosa placa que sinaliza o fim da ruta e a distância daquele ponto ao Alasca, incitando os aventureiros a buscarem uma aventura que os levem do extremo sul da América a conquistar o extremo norte, em Prudhoe Bay, no Alasca, acima do círculo polar ártico, o último lugar a ser possível de ser acessado por automóvel no norte de nosso continente. Após, caminhamos em uma pequena trilha próximo ao local, algo que pudesse ser possível com as crianças, que tem curtido fazer trekking. Resolvemos pernoitar na cidade de Ushuaia. Acreditava,que seria complicado o deslocamento no centro da cidade, na avenida principal, que margeava o canal beagle, pelo movimento intenso. Porém a realidade foi outra. Foi muito tranquilo o deslocamento com o MH neste perímetro, em que pese ser uma cidade que recebe turistas do mundo inteiro. Resolvemos que brindaríamos a conquista do “fim do mundo” em grande estilo, jantando um “Cordero Fueguino”, acompanhado de um ótimo Malbec. Escolhemos o restaurante La Estância que recomendo a todos. Excelente assado por um preço adequado. Após escolhemos como local de nossa “morada” em Ushuaia, as margens do canal Beagle, com vista para a cidade e para o Porto. No Porto dois transatlânticos Cruzeiros traziam turistas para este canto do planeta. Lá fora. Vento e o frio seriam as companhias do nosso Yete.

14° dia - 09/01/19

14° dia - 09/01/19
Rio Gallegos a Rio Grande (Terra do Fogo)
Quilometragem Parcial: 376 km
Quilometragem total acumulada: 5.168 km



Hoje nosso primeiro dilema era decidir qual rumo tomar. Nossa intenção primeira enquanto projeto de viagem era percorrer a Ruta 40 do seu km 0 em Cabo Virgenes a La Quiaca, cidade fronteiriça com a Bolívia, onde completa seus 5200 km. Já sabíamos ser quase impossível fazê-la toda nesta viagem, em função da janela dias de minhas férias. Então talvez pudéssemos percorre-lá este ano até a sua metade em Mendoza. Porém também estávamos perto do “fim do mundo”, Ushuaia. Não mais do que 500 km nos separavam desta cidade da Terra do Fogo. Então, embora já conhecêssemos o “fim do mundo”, as crianças se interessavam em saber como esta estrada que estávamos percorrendo já a dias terminava. Soma-se a isto o fato de então já termos constatado que não conseguiríamos percorrer a Ruta 40. Decisão tomada: O projeto Ruta 40 ficará para uma próxima empreitada, quando a faremos de norte a Sul. Concluímos ser este o caminho mais viável para conseguir completa-la. Resolvemos então repacutar nossos planos (possibilidade já a aventada desde o início de nossa viagem) e rumarmos a Ushuaia. Isso significaria, atravessar duas vezes a fronteira entre Argentina e Chile e também atravessar de balsa o estreito de Magalhães. Portanto o dia seria longo e cansativo. Rumamos a Terra do Fogo. Um pouco antes do Passo Internacional, desviamos alguns poucos km para mostrarmos as crianças um vulcão que é facilmente acessível. Trata-se da Laguna Azul, pois no seu interior hoje guarda uma linda lagoa de coloração azulada. Mesmo de pouquíssima altura de quem o vê de fora, sua cratera já causa espanto. E a muito as crianças vinham falando em conhecer um vulcão. Valeu muito a pena, pois ambos ficaram muito impressionados. Vale a pena e não se perde muito tempo, pois não está distante mais do que 5 km (asfaltados) da Ruta 03. Interessante não só ver sua cratera, mas os vestígios da lava que dele correu e se espalhou no entorno. Muito visível e ainda na coloração preta, como um carvão. Na volta a ruta, chamou a atenção do Artur um esqueleto de Guanaco (acho que será um paleontologista, kkkk). Paramos para vê-lo. Ao entrar no acostamento o MH afundou. Pensei que teria que pela primeira vez na viagem usar a tração. Felizmente não foi necessário, mas mais um alerta dos perigos muitas vezes escondidos nos acostamentos destas estradas. Requer muita atenção e cuidado. O Fóssil de Guanaco continha no seu inteiro o resto de alimento ruminado, o que também causou curiosidade no Artur. São estas pequenas experiências que somam agregação de conhecimento. Por isso dedico tempo quando eles demonstram interesse em algo que desperte também mais curiosidade e pesquisa. Na Aduana do Chile, a primeira inspeção. Todo o carro é revisado para que não se entre no Chile com alimentos. Não lembramos de declarar os restantes das cerejas compradas em Puerto Madry, e estavam bem a vista. A fiscal ficou tão preocupada em olhar armários, compartimentos e outros locais “suspeitos”, que não viu nossas cerejas. Isto que a caixa não era nem um pouco discreta. Ufa, cerejas salvas. Quilômetros após, chegamos ao estreito de Magalhães e imediatamente, sem espera conseguimos embarcar no Ferry (balsa). Totalmente diferente de nossa experiência de 2008, cujo vento nos impediu de entrar. Somente a noite conseguimos atravessar. No lado oposto, já na Terra do Fogo, almoçamos na pequena cidade de Cerro Sombrero, que foi nosso pouso em 2008. Seguimos viagem por um ótimo asfalto Chileno, de dar inveja aos pavimentos europeus, não só na qualidade da pavimentação, como sinalização e espaços de descanso. Sensacional. Em 2008, foram 130 km do mais legítimo Rípio, de motocicleta. Hoje, exceção feita ao espaço entre as aduanas do Chile e Argentina, tudo um tapete. Na entrada da Argentina, nova revista. Agora estavam em busca de Drogas. Levou um bom tempo, pois as revistas dos carros em nossa frente foram minuciosas e acabaram demorando. Quando chegou nossa vez, o soldado mal entrou no MH e mandou seguir. Continuamos nossa viagem até a cidade de Rio Grande, as margens do oceano. Rio Grande está exatamente na altura das ilhas Malvinas. E mesmo que em toda a Argentina exista através de placas e manifestações enunciado que as Malvinas são Argentinas, a cidade que mais ostensivamente estabelece uma forte lembrança e homenagem a guerra das Malvinas e aos mortos, é a cidade de Rio Grande, na Terra do Fogo. Talvez por ser a base de comando e operação durante a guerra. Pousamos em um posto YPF de frente para praia e nos aquecemos com uma saborosíssima galinhada. Noite tranquila e silenciosa. 220 km nos separavam do “fim do mundo”.

13° Dia - 08/01/19

13° Dia - 08/01/19
Três Cerros a Rio Gallegos
Quilometragem Parcial: 490 km
Quilometragem total acumulada: 4.792 km 

Hoje nosso objetivo era chegar a Rio Gallegos, a última cidade antes do estreito de Magalhães e da Terra do Fogo. Saímos de Três Cerros e no nosso caminho, a cidade de Puerto San Julian, outro palco importante da história da navegação de descobertas. Aqui o português Fernão de Magalhães aportou, rezou a primeira missa em solo Argentino. Aqui também enfrentou seu primeiro motim, quando parte de sua tripulação toda espanhola, queria voltar a Espanha. Magalhães não dava pistas de seus planos futuros, planos estes já alterados sem aviso prévio, pois a intenção inicial da viagem era chegar em Cartagena na Índia. Em San Julian Fernão conseguiu combater a sublevação e executar seus insuflados, deixando dois deles abandonados por estas terras. A partir de San Julian ele assume a Nao Victoria, a única que com 18 homens dos 237 que partiram, retornaram à Espanha. Entre os sobreviventes o italiano Antônio Pingaffeta, cronista desta incrível aventura, a primeira circunavegação ao redor do globo, a que também descobriu o estreito de Magalhães. Os 18 sobreviventes estavam como trapos humanos e tiveram para sobreviver, comer ratos e as partes de couro do navio. Esta lista de 18 sobreviventes não incluia Fernão de Magalhães, que foi morto por uma flecha envenenada nas Filipinas. Também aqui os desbravadores europeus fizeram contato com os Patagones, assim apelidados por Magalhães, descritos por Pingafeta como gigantes com pés enormes (daí o nome: Patagones, ou Patagões). Ludibriaram os pobres e dóceis nativos e sequestraram dois para serem levados a Europa. No caminho ambos vieram a falecer. Em Puerto San Julian existe uma replica da Nau Victoria. Esta cópia muito fiel, é também um museu temático contando um pouco desta história e a vida destes exploradores a bordo destas embarcações. Infelizmente o atendimento ali deixou muito a desejar. Foi péssimo, beirando a falta de respeito. Certamente tivemos azar com a escala da recepcionista e guia que primeiro nos atendeu. Não deve ser o padrão, pois a sua substituta foi muito atenciosa. Mesmo assim, a visita foi bacana, e gerou muito interesse nas crianças. Após a visita, li trechos do relato de Pingafeta em relação a passagem por Puerto San Julian para os meninos, e ambos se mostraram atentos e interessados. Dali, após reabastecimento em mais um super mercado Anônima, na entrada da cidade, seguimos para tentar alcançar Rio Gallegos. Chegamos quase a noitinha lá (por noitinha, leia-se 20:30, 21:00, quando o sol começa a se por). Em um posto YPF, a partir da indicação do aplicativo iOverlander, conseguimos um ótimo local para pernoitar. Jantamos uma ótima sopa de verduras. O dia seguinte nos reservava a necessidade de uma decisão quanto ao rumo de nossa viagem.

12° dia - 07/01/19 - (2° Parte)

12° dia - 07/01/19 - 2° Parte
Puerto Deseado (Passeio pela Ria Deseado) a Três Cerros
Quilometragem Parcial: 243 km
Quilometragem total acumulada: 4.302 km 
Na próxima parada desceríamos do barco para caminharmos em uma colônia de pinguins de Magalhães, nossos velhos conhecidos. Lá estavam eles com seus filhotes, cuidando de suas crias. Desta ilha rumamos para a tentativa de vermos as toninas, as menores espécies de golfinhos, e são lindos sendo pretos com uma faixa branca no meio do corpo. Tivemos sorte pois 4 apareceram e circularam a embarcação por um bom tempo. O Artur querendo imitar a guia, se coloca de forma a tentar acariciar alguma delas que passasse ao lado do barco. Para isso teria que curvar-se. O segurei para poder fazer este movimento, pois do contrário poderia cair na água. Porém tanto ele, quanto eu, esquecemos que seu óculos de sol estavam na gola da sua blusa. Quando vimos, um óculos começa a afundar, kkkkk. Sem pânico e alarde, fiz com que se conformasse. O óculos se foi para as profundezas, deixando seu dono de coração partido. O menino ficou chateado a princípio. Mas logo tratamos de fazer piada, dizendo a ele que amanhã um destes golfinhos apareceria de óculos escuros, se exibindo para os turistas do passeio do dia seguinte. Tudo apaziguado pois problema sem solução solucionado esta. O engraçado foi ver a cara da mãe dele, que não havia notado o ocorrido de tão discretos que fomos tanto eu como o Artur. Mas quando ele se virou, ela atenta que é logo viu que o óculos não mais estava com ele, fez uma cara de assustada a ponto de quase indagar onde estava. Quando olhou para mim e fiz com a cabeça um sinal positivo sem falar nada, mas dizendo: “sim, é isso mesmo, caiu na água”. Ela entendeu e também não amplificou o fato. Foi engraçado. Mais um fato para ficar na história das crianças, afinal também estas situações servem de marco para futuras lembranças. Concluímos este belíssimo passeio e já no MH tratamos de almoçar, para na sequência seguir viagem. O caminho ainda seria longo. Conseguimos, com o vento nos segurando muito, alcançar um local chamado Três Cerros, que nada mais é que um posto de gasolina da YPF, com hotel, restaurante e uma área de descanso para os viajantes. As pessoas que lá trabalham precisam também morar no complexo. Trabalham 24 dias consecutivos e folgam 6 consecutivos. Jantamos neste hotel onde as crianças cada vez mais interessadas nos animais, pinguins e paisagens locais, buscando nos postais da loja referências de animais que já havíamos visto e locais que havíamos visitado ou que quem sabe visitaríamos. O céu deste final de tarde estava carregado de um lado de nuvens escuras e pesadas e do outro lado, onde o sol se punha, com poucas nuvens, proporcionando um espetáculo incrível, uma imagem que somente aqui na Patagônia podemos presenciar.

12° dia - 07/01/19 - (1º Parte)

12° dia - 07/01/19 - 1º Parte
Puerto Deseado (Passeio pela Ria Deseado)
Ao despertarmos, tomamos as providências rotineiras de arrumação, limpeza e checagem de tudo, fomos em busca do nosso desayuno em uma ótima Panaderia perto dali. Excelente café da manhã que nos reenergizou para os passeios que viriam. Inicialmente fomos para os locais dos canyons da Ria Deseado, possível de ser acessado de carro. Ali as crianças já despertadas tomaram seu café enquanto fui dar uma pequena explorada na região. Logo já se notava o santuário que era este estuário. Com suas ilhas tomadas por aves, pinguins, cormoráns e gaivotas de todos os tipos. Nossa intenção era fazermos o passeio pela Ria, para visualizar de perto estas espécies. Outro passeio quase que obrigatório para quem vem a Deseado, é a “Isla Pinguino”, onde vive uma colônia de pinguins de penacho, aquele com um penacho amarelo, lindo e exótico. São seis horas de passeio, sendo 1 hora para ida e 1 hora para a volta (duas no total, somente de deslocamento), mais 4 horas na ilha. Optamos por não fazer este, pois seria muito sacrificante e cansativo para as crianças. Optamos em fazer somente o passeio de duas horas pela Ria

11º Dia - 06/01/19 - (2º Parte)

11º Dia - 06/01/19 - 2º Parte
Fitz Roy a Puerto Deseado
Quilometragem parcial do trecho: 140 km
Quilometragem total: 4.059,2 km

A cerca de 10 km do entroncamento que guarda a homenagem a este personagem da Patagônia Rebelde, chegamos a pequena Jaramillo, que foi palco da derrocada desta manifestação de campesinos. Em Jaramillo, Facon Grande e seu grupo foram presos após um negociação de rendição que envolvia mantê-los vivos. Uma vez aprisionados em um vagão de trem daquela estação, o comandante das forças policiais volta atrás na condição oferecida de poupar suas vidas. Facon Grande e seu grupo, mais de 400 campesinos, foram executados em fuzilamento em uma vala comum a poucos metros da estação. O sítio portanto, é um importante palco histórico deste momento da Patagônia e queria conhecê-lo. Eu e o Artur exploramos o local. Tudo absolutamente deserto em meio a estepe Patagônica. O vento batendo e rangendo as janelas do vagão, davam um ar misterioso ao lugar. Fotografamos belas imagens

Patagônia - 11° Dia - 06/01/19 - (1º Parte)

11º Dia - 06/01/19 - 1º Parte
Comodoro Rivadávia a Fitz Roy
Quilometragem parcial do trecho:153 km
Quilometragem total: 3919,2 km

Seguimos nossa viagem rumo ao Sul. Precisávamos abastecer pois o posto Petrobras que pernoitamos não estava aceitando “targeta” (cartão de crédito). Portanto deveríamos abastecer em Caleta Oliva a 90 km de Rivadávia. Ainda em Comodoro, já na sua saída, me chamou a atenção um grande pátio de demolição de carros destruídos (um ferro velho). Não sei porque estas imagens me atraem, hehehe. O fato é que o cenário parecia um filme pós apocalíptico ou aqueles filmes de zumbi tipo “Walking Dead”, e não resisti à vontade de parar e fotografar. A solidão ganha outro significado aqui na Patagônia e me pareceu sensacional esta imagem neste cenário. Mais adiante parei novamente para mostrar ao Artur as inúmeras grandes “bombas” de extração de petróleo, comum por estas bandas, pois comodoro Rivadávia tem sua pujança calcada principalmente na extração deste mineral. Por isso também é uma cidade muito cara. 

Patagônia -10° Dia - 05/01/19

10° Dia - 05/01/19
Camarrones (Reserva Natural Cabo dos Bahias) a Comodoro Rivadavia.
Quilometragem Parcial: 323,4 km 
Quilometragem Total: 3.766,2 km
Despertamos cedo para nos dirigirmos a Reserva Natural Cabo dos Bahias, distante 30 km de Camarrones, por uma estrada de Rípio. Cabo das Bahias é uma Pinguineira em um local fantástico de beleza ímpar. Já o caminho que leva ao parque, margeando o oceano atlântico de um azul incrível, é muito lindo. Este azul, contrastando com o verde dos arbustos e amarelo dos capins característicos da região e o preto e vermelho das rochas, faz da paisagem algo extraordinário. Chegando a este templo da natureza vemos Guanacos, pinguins de Magalhães, pássaros aquáticos, lobos marinhos, convivendo em harmonia. Uma passarela de alumínio, nos permite chegar bem próximo aos animais, que por sua vez não tem medo do homem, pois ali são respeitados. A distância do parque e sua vizinha Punta Tombo (a principal pinguinera da região), fazem cabo das Bahias não ser muito conhecido e visitado. Apreciamos com muito vagar e silêncio este espetáculo emocionante da natureza.

Patagônia - 9° dia - 04/01/19 (2° Parte)

9° dia - 04/01/19 - 2° Parte 
Quilometragem Parcial do trecho: 244,5 km - Trelew a Camarrones
Quilometragem Parcial: 309,6 km - Puerto Madry a Camarrones
Quilometragem Total: 3.442,8 km
Após a fantástica visita ao hotel Touring, nos despedimos da cidade de Trelew, colonizada por imigrantes Galeses. No caminho, observando a Aridez do solo e o vento forte característico da Patagônia que já se manifestava forte, fiquei pensando no que fizeram estes imigrantes optar por estas terras para construírem seu futuro. Aqui, isolados de tudo, estabeleceram propriedades produtivas não só em Trelew, mas também Gaiman e outras, as margens do Vale do Rio Chubut. Tiveram contato com o índios Teuelches e com este conviveram e fizeram aqui a sua história. Em meio a estes pensamentos, entre um chimarrão e outro, alcançamos o quilômetro 1499 da Ruta 03, que elegemos simbolicamente como a metade desta Carretera (na verdade um marco não preciso da metade, mas gostamos do número. Bem da verdade queríamos o km 1500, mas não existia mais a plaquinha de indicação). Lá paramos para repetir um foto que fizemos em 2017 quando também estivemos nesta região na busca de alcançar a Carretera Austral no Chile. 

Patagônia - 9° dia - 04/01/19 (1° Parte)

9° dia - 04/01/19 - 1° Parte
Puerto Madry a Trelew
Quilometragem parcial do trecho: 65,1 km
Quilometragem Total: 3.198,3 km

Despertamos com o Transatlântico Cruzeiro atracando no Porto bem em frente à nossa “varanda”. Como sempre, tomamos as providências matinais de faxina e organização e seguimos viagem. Na saída de Puerto Madry, retrocedemos 3 km para abastecermos de combustível e água o MH em um posto YPF. Lá um trailer vendendo cerejas me interessou. Fui averiguar e constatamos ser de uma qualidade incrível e sem nada de químicos. O fruto vendido ali por uma cooperativa de produtores de Gaiman (Cooperativa de Productores Integrados de Cerezas Ltda), era tipo exportação e simplesmente divino. O produtor que estava lá atendendo, muito falante, nos explicou todo o processo. Compramos uma caixinha de 2,5 kg e creio que ele tenha simpatizado conosco, pois nos presenteou com mais meio quilo, que tratamos de comer no caminho. Incrivelmente ótimo. 

Patagônia - 8° dia - 03/01/19 (3° Parte)

8° dia - 03/01/19 - 3° Parte
Punta Delgada a Puerto Madry (Área natural Península Valdés)
Quilometragem Parcial:   343,5 km (de Puerto Pirâmide a Puerto Madry)
Quilometragem Total: 3.133,2 km

De Punta Delgada, último ponto de contato visual com o Altlântico, tomamos o derradeiro trecho que nos levaria novamente ao asfalto. Nesta etapa, poderíamos avistar as duas salinas existentes na península, a Salina Chica e a Salina Grande, que se distinguem por estarem entre as mais profunda do Argentina, sendo profundidade negativa em relação ao nível do mar de (-)35 e (-)42 respectivamente m.a.n.m (metros abaixo do nível do mar). A Salina Chica permitia acesso por uma estrada estreitíssima e muito irregular, e aqui comprovou-se a robustez do Yete e a valia de um Motor forte e uma dupla tração. Os três quilômetros, exceção feita a aventura da estrada, não renderam boas imagens. Seguimos nosso roteiro nos despedindo da Península Valdes, rumando a Puerto Madry, onde pretendíamos pernoitar. 

Patagônia - 8° dia - 03/01/19 (2° Parte)

8° dia - 03/01/19 - 2° Parte 
Punta Norte a Punta Delgada (Área natural Península Valdés)

De Punta Norte seguimos sentido sul com o mar a nossa esquerda, até Caleta Valdes. No caminho uma pinguinera e o incrível cenário do local. Antes de chegar em Caleta Valdes, nos pareceu familiar uma casinha em meio ao descampado. Se tratava de nada menos que a casa utilizada como cenário do filme “Farol das Orcas”, uma linda história da relação entre Orcas e homens que havíamos a algum tempo assistindo e que muito nos emocionou. O mote é o tratamento de um menino espanhol autista que consegue reagir e expressar emoções de alegria e entusiasmo quando as vê. Um dia o menino estava assistindo TV, quando um documentário mostrava um guarda parque mantendo contato com baleias Orcas, consideradas extremamente agressivas e predadoras. Sua mãe ao ver a reação do filho, que expressava ali um grande sorriso de felicidade decide levá-lo aos confins da Patagônia para encontrar este guarda parque que se comunica com as Orcas, para possibilitar a mesma experiência ao filho. A história se desenrola a partir desse mote e do encontro destas três vidas, do menino, da mãe e do guarda parque. 

Patagônia - 8° dia - 03/01/19 (1° Parte)

8° dia - 03/01/19 - 1º Parte
Puerto Pirâmides a Punta Norte (Área natural Península Valdés)
Dia de percorrer Área natural protegida pela província de Chubut, Península Valdés, cujo circuito somam 226,2 km do mais legítimo Rípio. Neste parque, um santuário da fauna e flora da Patagônia Marítma, existem diversas espécies de animais costeiros e do mar, entre mamíferos, peixes e aves, além da flora característica desta parte da “estepe” Patagônica, espinho, touceiras e capim, que combinam muito bem com o clima seco do local. Adentramos a zona protegida do parque rumo a Punta Norte. No caminho avistamos Guanacos (um camelidio só encontrado na Patagônia), o Peludo (Um tipo de tatu), a Martineta Comum (uma espécie de codorna do tamanho de uma galinha). Após 75 km chegamos a Punta Norte. 

Patagônia - 7° Dia - 02/01/19

7° dia - 02/01/19
Las Grutas a Puerto Pirâmide
Quilometragem Parcial:  336,5 km
Quilometragem Total: 2.789,7 km

Deixamos Las Grutas logo cedo, e retornamos uns 10 km até o entroncamento da 03 com a 251, para abastecermos os MH com combustível e água. Existem dois postos de combustível neste entroncamento. Um da YPF e outro da Shell. No YPF havia uma fila quilométrica (no dia anterior já havia notado este mesmo fato). Já no Shell nada de movimento. Conseguimos abastecer, porém não conseguimos água. O motivo era a falta de nafta no Shell. Porém Diesel, havia. Um alerta para quem vai a Patagônia. Relativamente comum faltar combustível em função das distâncias dos distribuidores. Abastecemos, tomamos novamente nosso desayuno porem não conseguimos água. Seguimos viagem agora pela Ruta 03. Em Sierra Grande, uma pequeníssima cidade as margens da Ruta 03, novamente paramos para abastecer, porém neste posto não havia diesel, mas havia água. Enquanto abastecia a água aproveitei o Wi-Fi do posto para atualizar o diário de bordo. Seguimos nossa viagem até finalmente alcançarmos as cancelas de acesso ao Parque Nacional Península Valdêz. 

Patagônia - 6° Dia - 1°/01/19

6° Dia - 1º/01/19
Cel Pringles a Las Grutas
Quilometragem Parcial:  526 km
Quilometragem Total: 2.453,2 km

Nos despedimos da pitoresca e simpática Cel Pringles rumo ao sul. Antes abastecemos o MH e tomamos um “desayuno” energizante formado por café com “leche e três médias Lunas” na “Estacion de Servicio” YPF, a cerca de 4 km de Pringles. Este procedimento passou a ser uma rotina. As crianças continuavam dormindo e ficariam por um bom tempo, ou melhor, por muitos kms. Retomamos a Ruta 51, em direção à Bahia Blanca. Recebemos do Sr. Sérgio Rey a indicação de conhecermos a cidade de Sierra de La Ventana, na cordilheira do mesmo nome, local de prática de trekking e esportes de natureza e conforme ele, lindo com muitos “sendeiros” para percorrer a natureza da região, e que valeria a pena conhecer. Infelizmente comprometeria muito nosso roteiro já apertado e atrasado. Resolvemos seguir, até alcançarmos Bahia Blanca. Lá estacionei nas sombras de eucaliptos do acesso a “sociedade rural”, as margens da 03, local onde as crianças tomaram seu café da manhã. Após seguimos pela ruta 22 por bons kms na busca da ruta 251, paralela à 03 no sentido sul. 

Patagônia - 5° dia - 31/12/18 (2° Parte)

5º Dia - 31/12/18 - 2º Parte. 
Azul a Cnel Bringles
Quilometragem Parcial:  463,9 km
Quilometragem Total: 1.927,2 km

Seguimos nossa viagem nos despedindo do amável Santiago, optando por acessar a Ruta 51, paralela no sentido Sul a Ruta 03, com a pretensão de rodar o máximo possível, já conscientes que não alcançaríamos Bahia Blanca. Também não estávamos com intenção de ser ela nossa parada para pernoite por se tratar de uma cidade grande e portanto com os riscos inerentes à está condição. No desenrolar da viagem visualizamos a cidade de cel Bringles (sim o mesmo nome das famosas batatas fritas), como possibilidade de pernoite. Eu não estava levando muita fé e pensava ser ela uma cidade muito mal cuidada e feia. Ao menos esta foi a minha expectativa. Não constava em guia algum e o próprio GPS não ampliava seu traçado (sua planta baixa). Lá chegando, logo na entrada, nos deparamos comum suntuoso Cemitério, sinalizando que o local já havia sido ou era composto por pessoas de muitas posses. 


Patagônia - 5° dia - 31/12/18 (1° Parte)

5° dia - 31/12/18 - 1º Parte. 
Uribelarrea a Azul


Partimos cedo do pitoresco Pueblo de Uribelarrea e optamos pela ruta 43, pois passaria pela cidade de Lobos, que me causava curiosidade pois se trata da cidade natal do mais famoso presidente Argentino, Juan Pablo Peron. A ideia era ver se não havia nada de curioso a respeito deste fato nesta cidade. Constatamos que fora uma placa que infelizmente não fotografamos na entrada da cidade,fazendo menção a este fato, a outra referência era uma simples indicação de forma muito discreta e não clara a casa Natal de Peron, hoje transformada em museu. Não a encontramos. Seguimos viagem pela ruta 43 que nos levaria a Ruta 03, sendo que nesta tivemos momentaneamente nosso deslocamento interrompido pelo fechamento da via em função da passagem do trem sobre os trilhos que cortavam a rodovia. Terminada a Ruta, chegamos ao entroncamento da Famosíssima Ruta. Nacional 03 (RN3), que nos seus 3074 km que se iniciam em Buenos Aires, tem seu final na Baia de Lapataia, no Parque Nacional Terra do Fogo em Ushuaia, onde termina. 


Patagônia - 4° dia - 30/12/18

4º dia - 30/12/18
Salto (Termas de Daiman) - Uruguai à Uribelarrea (Cañuelas / Argentina)
Quilometragem Parcial:  520,1 km
Quilometragem Total: 1.463,3 km
Noite muito bem dormida. Somente despertamos em função do barulho de uma ventania, preludiando uma forte tormenta. Já era manhã e portanto levantamos e recolhemos a roupa lavada no dia anterior e estendida no varal que instalamos. Recolhemos também fio de luz e os calços do MH. A chuva veio forte e refrescante. Tomamos nosso café, faxinamos como sempre o MH e seguimos viagem nos despedindo deste simpático lugar. Na fronteira com a Argentina, pouco movimento e trâmites muito rápidos. E por incrível que pareça com um fiscal aduaneiro muito simpático. Seguimos até alcançarmos a ruta 14, que corta a província de Entre Rios, até Buenos Aires. Gostaríamos de ultrapassar a altura de Buenos Aires, e seguimos tranquilo no ritmo do Yete.