O Relato da nossa primeira viagem de Moto. Transcrevo aqui, pois com o passar dos anos os antigos blogs vão mudando a configuração, e por segurança e backup, também ploto aqui, com mais algumas fotos que no blog original não estão (não lembro porque). Também perdi muito destas fotos, exatamente pelo fato de não tê-las revelado e não poderem mais serem lidas pelos novos dispositivos (notebook, HDs, etc).
Aventura
para Punta Del Este – 05 a
10 de Setembro de 2008.
Sou
motoqueiro novo. Fiz minha carteira neste ano (2008). Entre as resoluções do
final de 2006 estava a de apreender a pilotar moto, tirar carteira, comprar uma
moto e começar com ela a fazer grandes viagens. Espírito de aventura, que acho
ter herdado de meus pais, mas esta é outra história, que contarei em outra
oportunidade.
Bom.
Cumpri com minhas resoluções. Em 2008, conclui meu exame para carteira, comprei
uma Falcon 2004, mod 2005, com 29.000 km e comecei a pilotar (apesar das
diversas opiniões contrárias a escolha da moto, pelo seu tamanho. Ainda bem que
não dei ouvidos. Sou meio obstinado e pensei. Se sei ou apreendo a andar com
uma moto pequena, tenho que poder andar com uma moto grande). Fiz alguns tiros
curtos para Nova Petrópolis, terra de minha família e comecei a visitar sites
de relatos de moto-viagem. Outra de minhas paixões é a corrida de rua. Claro
que ainda estou iniciando, afinal de contas, corro a somente 1 ano,
participando neste período de várias provas de rua. Já estou correndo 10 km. Nestas navegadas pela
internet e leituras de revistas especializadas em corridas, fiquei sabendo de
uma corrida em Punta del Este.
Precisava
testar um percurso com a moto mais longo, então uni as duas paixões: a
moto-viagem e a corrida. Me inscrevi na corrida e programei a viagem a Punta.
Testaria os equipamentos recém adquiridos (roupas de cordura, luvas, botas e o
alforge Gift), além de me testar e verificar se a Adelaide (garupa) se
adaptaria a este tipo de programa (acho que sim, afinal é uma grande
companheira e parceira). Hoje é campista de mão cheia (aliás, outra de nossas
paixões).
Tudo
decidido. Agora era botar a Catarina (apelido da Falcon, involuntariamente dado
pelo colega Flaubiano = Gostei e a batizei) na estrada. A saída seria dia 05 de
Setembro.
05
de Setembro 08 – Primeiro dia = Porto Alegre / Cassino (330 km).

Adivinha
se não estava previsto uma tremenda chuvarada e muito frio para os próximos
dias. Foi assim que acordamos no dia da viagem. Uma chuvarada tremenda. Vamos?
Não vamos? O que fazer? Ficaria muito frustrado, com um sentimento de derrota,
se não saísse, porém a chuva estava muito forte e não dava trégua. Acordamos
tarde, e o sentimento não era dos mais animadores para enfrentar o que vinha
pela frente. Mas resolvemos sair. Queríamos também testar nosso equipamento,
nossa persistência, força de vontade e espírito de aventura. Saímos tarde,
abaixo de muita, mas muita chuva mesmo. Primeiro desafio, neste dia foi a
adaptação ao equipamento e sair de Porto Alegre, com o trânsito, especialmente
neste dia caótico. Segundo desafio, o movimento da BR 116 com chuva e muito
movimento de caminhões. Era água para todo lado. Cada caminhão que passava em
sentido contrário despeja baldes de água e vento contra nós, mas estava
motivado e animado. Já nos distinguíamos da maioria dos mortais com esta
façanha, para mim e Adelaide uma grande novidade. Nos 60 primeiros quilômetros
já havíamos concluído que os equipamentos (roupas, luvas e botas) não eram tão
infalíveis assim. As luvas, vendidas como impermeáveis (caríssimas, aliás) já
estavam encharcadas, que aliadas ao frio do dia, simplesmente, congelavam as
nossas mãos. As roupas, nas extremidades, mãos, e pescoço úmidas, que com o
efeito do vento e do frio, também levavam a sensação térmica lá para os zero
graus ou menos. Nossa Parada para o almoço (um lanche = café bem quente e uma
torrada) foi no Paradouro Grill no município de Cristal. Adelaide, tremia muito
de frio. Mas não se queixava. O café quente amenizou o frio. Fiquei preocupado,
com a saúde e disposição da Adelaide. Será que agüentaria? Ali a primeira
sugestão dela. Que parássemos em São Lourenço.
Havíamos percorrido somente 160 quilômetros dos
750 do percurso total e já iríamos parar? Não gostei da idéia, mas não me opus.
Se precisássemos parar, pararíamos. Não forçaria a barra com Adelaide, embora,
quisesse e estava disposto a andar muito mais. Descansados e recuperados,
pegamos novamente a estrada e adivinha se a chuva parou? Não amenizou e parece
que havia se intensificado. Em toda a BR 116, muito movimento e principalmente
caminhões. Cada caminhão em sentido contrário, claro, que sempre em alta
velocidade, além de baldes de água jogados em nós ocasionava na a saída do
vácuo formado pela velocidade uma tremenda pancada de vento na moto e em nós, e
exigia muita atenção e firmeza para mantê-la estável. Nada absurdo, mas um
descuido poderia causar um acidente. Na entrada de São Lourenço fiz sinal a
Adelaide para saber se pararia ou poderia tocar até Pelotas (mais 80 km) e ela fez sinal para
tocar. Beleza. Em Pelotas, mais uma vez sinal. Posso continuar? e ela fez sinal
para continuar. Beleza. Em
Rio Grande, parada para abastecimento e decidimos que
pararíamos em Cassino, afinal já eram 17:30 e estávamos encharcados e
congelados. Eu particularmente tinha vontade de tocar mais até Chuí, mas seria
um exagero e percorreria uma região quase que deserta (inclui aí a reserva do
Taim) por mais de 200 km.
Acertada a decisão de ficar no Cassino. Paramos no nosso já conhecido Cassino
Hotel. Gelados, ansiávamos um banho quente e roupas secas. Tiramos os alforjes
da moto e passamos nele um chuveirinho no box do banheiro para tirar a lama e
então buscar as roupas secas. Roupas Secas ???? Qual não foi a nossa surpresa
ao constatar que toda a roupa estava completamente molhada. Nossas únicas mudas
de roupas que deveriam estar secas estavam completamente molhadas. Nossas
calças de brim pingavam água. Minha expectativa de banho quente e roupa seca
foi por água abaixo, ou com o perdão do trocadilho, foi com água por tudo.
Ficamos somente no banho quente e que banho gostoso. Sorte que a Adelaide ao
menos colocou as cuecas e calcinhas em uma sacola plástica. Estas ao menos
estavam secas e mais duas camisetas. Nem sair para jantar podíamos. Iniciamos a
operação varal em frente ao ar condicionado. Roupa estendida, ar condicionado
em 30 graus (para lembrar = na rua fazia muito frio), direcionado para a roupa,
resolvemos encomendar um pizza pelo tele-entrega. Jantamos e fomos para o berço
descansarmos, porque no dia seguinte a aventura continuaria. Será que a chuva
daria trégua?
06
de Setembro 08 – Cassino / Punta del Este (420 km)

Acordamos
tarde (o sono estava muito bom), tomamos aquele cafezão e começamos a operação
remontagem das roupas nos alforjes. Agora tomaríamos as precauções necessárias.
As roupas já secas pela ação do ar-condicionado quente, foram ensacoladas em
saquinhos de super-mercado. Agora eu queria ver a chuva molhar nossas roupas!!!
Saímos de Cassino aproximadamente 10:10 hs e rumamos para o Chuí. Nos primeiros
50 km
parecia que a chuva neste dia poderia nos dar trégua. Ledo engano. Já na
reserva do Taim despencou aquela água e mais uma vez ela nos acompanhou por
todo o roteiro. Chegamos em Chuí e paramos para almoçar em um posto de
combustível. Várias motos estavam paradas lá. Já na chegada um dos motoqueiros,
um senhor de seus 60 e poucos anos, muito expansivo gritava: “lá vêm mais dois
sofredores”. Dizia ele, que estavam vindo de Punta del Este e que lá estava gelado, no caminho muito vento e que ele estava desistindo de continuar a
viagem para Santa Catarina em Blumenau e arredores, casa dos viajantes. Este
pessoal estava tão ou mais molhado que nós. Aliás, nós não estávamos
propriamente molhados (exceção feitas as luvas), mas com algumas partes das
roupa úmidas (principalmente as extremidades). Esta umidade combinada com o
vento e o frio que dava a desagradável baixa sensação térmica. Terminado o
almoço, dois gostosos ala-minutas, seguimos viagem. Mais 230 km até o nosso destino.
Providenciado os poucos trâmites burocráticos na Emigração Uruguaia, seguimos
viagem parando somente em Punta-del-Este na sua Placa de “Bienvenidos”, na
entrada da cidade. A Adelaide estava, acho que em estado de pré-hipotermia,
pelo frio. Principalmente suas mãos estavam geladas. A luva molhada armazenava
água que gelou. Seus dedos estavam inchados. Tremia muito. Tiramos a foto e fomos
procurar o hotel . O Trecho de Chuí, até Punta, embora monótono é muito bonito
(apesar da chuva) e a estrada era praticamente só nossa, realidade já existente
a partir de Rio Grande no trecho entre esta cidade e Chuí. Ficará para uma
próxima a exploração das praias do litoral Uruguaio e do parque de Santa
Tereza. Em Punta, após encontrarmos o Hotel Bone Etoile, muito bom hotel, com
excelente atendimento e instalações e não sei se pelo período (entre-safra do
veraneio) com ótimo preço (U$ 60,00 o casal), fomos providenciar o pagamento da
inscrição da corrida e retirada do chip. Compramos ingressos para a massa
(pasta) servida para os corredores e voltamos ao hotel. Finalmente um banho
quente. Já na entrada do hotel o diferencial da calefação, que nos dava uma
ótima sensação, após mais um dia de muito frio. Após o banho procuramos o local
para o jantar de massa. Não estava lá estas coisas, mas valeu viver a
integração com outros atletas. Jantados resolvemos voltar para o hotel para
finalmente o merecido descanso. Ao sairmos do clube, puxei a chave para abrir o
cadeado da corrente e o susto. Cadê a chave do cadeado? Só me faltava esta.
Como abrir o cadeado sem a chave. Procura aqui, procura ali nos bolsos e nada.
Perdi a Chave do cadeado da moto. Só me faltava esta... O que fazer? Onde eu
fui perder este troço? Voltei para o salão do clube no local onde sentamos e já
haviam inclusive arredado as cadeiras e mesa, onde estávamos sentados. A
bendita chave estava, pequenina aliás, embaixo de um dos pés da mesa. Que
sorte. Partimos para o Hotel e mais um banho quente e aquela “caminha”
confortável e com cobertores ótimos. Fomos descansar, pois no dia seguinte as
8:20 da manhã correria os 8 km.
Será que a chuva pararia? Até agora não havia dado trégua ainda.
07
de Setembro 08 – Dia da corrida e passeio em Punta.
Acordamos
cedo e nos deslocamos para o local da corrida. Lá chegando os primeiros
atrapalhos. Onde colocar as roupas de cordura, o capacete e as botas? Ali conclui que o Bauleto, ainda não comprado
fazia e faz muita falta. Sobrou para a Adelaide, segurar todo o material e
ainda tirar as fotos, afinal, teríamos que registrar este momento da corrida
(minha primeira corrida internacional). Aqueci e me posicionei na largada. E a
chuva? Continuava dando o ar de sua graça. Dada a largada, fui em ritmo bom.
Terminei em torno de 40 minutos os 8
km, com um pace de 5,19 km/h, bom resultado
para o meu atual estágio de desenvolvimento na corrida. Fiquei na posição 72
geral, de 167. participantes. Muitos brasileiros e gaúchos participando dos 8 k
e da maratona. Terminado a corrida, fui em busca do meu troféu: um beijo da
Adelaide e a medalha de participação. De lá voltamos para o Hotel, tomamos
aquele banho e fomos tomar o café, já 10:00 hs. O café muito bom. Porém sentimos
falta no café da manhã das frutas, tão comum nos hotéis brasileiros. Após o
café uma caminhada pelo centro. A chuva finalmente dava sinais de querer amansar.
Fomos buscar informações do city tur e decidimos que faríamos o city tur de
moto, por conta. Economizaríamos R$ 80,00 (Três abastecidas, ou melhor, todo os
750 km do
retorno). Retornamos após esta caminhada ao hotel para um breve cochilo,
precisávamos descansar antes do passeio que faríamos a tarde (lá pelas 14:00
hs). Merecido descanso, acordamos e fomos conhecer Punta de moto. Fizemos o
mesmo roteiro do city tur. Visitamos o bairro Beverly Hills, com suas casas
cinematográficas. Após fomos até a barra, local de entrada em Punta de quem vêm
do norte (onde entramos e fotografamos no dia anterior). Agora para tirar uma
foto na ponte ondulada. Muito bacana. Nesta função de buscar a melhor pose uma
quase vídeo cassetada. Quase, porque faltou a câmara, pois o tombo aconteceu.
Fui atravessar a avenida para buscar a melhor posição de fotografia e tropiquei
até me esborrachar no chão. Assim como caí levantei (esta é uma habilidade que
venho desenvolvendo com o passar dos anos = cair rápido e levantar mais rápido
ainda). Fizemos as fotos e nos mandamos para a Casa Pueblo, nossa última
parada. A casa Pueblo é uma casa em estilo mediterrâneo (parecido com aquelas
construções gregas), que até hoje ainda está em construção. Seu
proprietário e construtor é o poeta e artista plástico Carlos Paez Villaró, pai
de um dos sobreviventes do acidente dos Andes, com o Farchild. Além de
interessantíssima a casa, que serve de hotel e de espaço para as exposição dos
trabalhos do artista, têm um café em que comemos um maravilhoso croissant com
um chocolate quente. Como não tínhamos almoçado em função do café tardio,
aquele croissant serviu como um belo almoço. Esperamos então o pôr-do-sol que é
acompanhado pela declamação nas caixas de som da casa de um poema declamado e
gravado pelo artista. Simplesmente um momento único e fantástico. O poema é
sincronizado com o baixar do sol. Realmente um culto a vida, ao sol, a
natureza. Valeu a pena. Dali fomos para o hotel. Mais uma caminhada pelo centro
e noite de Punta e resolvemos dormir, afinal, amanhã era o dia do grande
retorno. Pretendia sair cedo, no máximo 8:00 hs e chegar em POA, lá pelas 19:00
hs. 750 km
nos separavam de Porto Alegre. Só que agora a viagem seria com tempo bom.
08
de Setembro 08 – O Retorno (ou a tentativa de retorno) – 350 km.
Acordamos
cedo, já havíamos deixado tudo mais ou menos encaminhado na noite anterior.
Tomamos o café, acertamos a conta do hotel (U$ 120,00 duas diárias) e pé na
estrada. Seguimos pelo litoral, até o balneário José Ignácio. Dali para
continuar, teríamos que pegar uma balsa. Resolvemos retornar para Ruta 09 e
seguir viagem. Gostaríamos de parar e dar uma olhada no parque Santa Tereza,
com seu Forte de Pedra já secular. Rápida circulada no parque, infelizmente,
pelo pouco tempo e por estar fechado não visitamos o Forte. Fica para uma
próxima. Seguimos viagem até Chuí. Almoço no mesmo local da vinda, aquele
reforçado Ala-minuta. Abastecidos, nós e a Catarina, e continuamos na segunda
etapa da viagem, enfrentando a RS 471, que separa Chui de Rio Grande, passando
pela reserva do Taim. Uma parada para esticada no banhado do Taim, maravilhoso.
Vale a pena um retorno com uma olhada mais atenta e com tempo (Vou programar um
final de semana em Rio
Grande para ir até o Taim, mas até lá quero já ter comprado
uma boa máquina fotográfica. Lá é simplesmente um show de imagens). Seguindo
viagem, já quase na localidade de quinta em Rio Grande o
conta-giros simplesmente deixou de marcar. Opa, o que é isto? Como não sou
muito experiente nem imaginava o que poderia ser (?????). Na localidade da
quinta, parei para abastecer. Catarina abastecida dei partida e nada. A moto
estava simplesmente sem bateria. Era só o que me faltava. Mas a adversidade faz
parte de quem quer se aventurar por este mundo a fora. Se esta era a nossa
decisão (fazer muitas viagens de moto), deveríamos começar a nos acostumar com situações inesperadas. O
Frentista ajudou a empurrar a moto que pegou no tranco. Adelaide montou e
liguei o pisca. Adivinha: morreu de novo. Para nossa sorte, a uns 50 metros do posto, uma
mecânica de moto. Lá uma gurizada, que se mostrou super solícita. Oficina Casa
do motoqueiro, um importante ponto para os motociclistas que se aventuram para
o sul do continente e passam por ali. Fizeram de tudo. Bastante atrapalhados,
mas com boa vontade. Fizeram o que puderam. O Jefferson e o Valério, os donos
da oficina, se esforçaram. Embora o diagnóstico inicial tenha sido equivocado,
fazendo que com perdêssemos quase 3 horas desnecessárias. Achoram que o
problema era o retificador da bateria. O custo: R$ 586,00. Após ir até Rio
Grande, perder um tempão, mediu as conexões novamente com o multímetro e
concluiu que o problema não era nesta peça. Sorte minha. Escapei de gastar o
valor. Logo concluiu que o que estava com problema era o retificador. Um novo
R$ 285,00, porém este não tinha pronta entrega. Com a demora, a bateria pôde
ser carregada para podermos ir até Pelotas. Só que agora já era noite. E o
movimento? E os caminhões? Será que a moto agüentaria chegar em Pelotas? Ela
não recarregava a bateria e a necessidade de ir com os faróis ligados consumiria
mais carga do que a capacidade de carregar (afinal, o retificador estava
queimado). Finalmente, quase 20:00 hs da noite ou mais (lembrem que parei no
posto as 14:30 hs), pegamos esta estrada perigosíssima que separava Rio Grande de Pelotas. Trinta e
cinco quilômetros dos mais absoluto stress. Caminhões e caminhões carregados de
contêiners, imprimindo velocidades enormes, não querendo saber se você está de
moto, ou sei lá o que. Não foi fácil. Faltando alguns quilômetros para chegar
em Pelotas e Adivinhem... Naquela escuridão, naquele perigo, no meio do nada,
com a Adelaide na garupa , caminhão encostando na traseira da moto o conta giros
morre novamente (igual a tarde lá na quinta). Logo em seguida o farol começa a
diminuir ficando parecendo um vela ligada e eu começando a conversar com a
moto, implorando para que ele chegasse em Pelotas, conversando não: gritando,
empurrando com o pensamento e com os gritos: VAI, VAI, VAI. NÃO PARA, NÃO PARA.
VAI, VAI, VAI. Stress total e os caminhões não querendo saber. Cheguei na ponte
que atravessa o São Gonçalo, aliás, minha ponto e previsão de parada para
apreciar a vista, na situação normal de viagem. Esta ponte em formato de um
grande arco é muito linda e está ao lado da ponte velha, que possui o mesmo
desenho mas está interditada. Iria subir na interditada e pararia a moto. Agora
naquela situação o que mais eu temia era justamente a moto morrer na subida da
ponte, uma grande ladeira em função de seu formato. Chego na ponte, sobe ponte,
Aí, ai, ai, será que consigo ????? Consegui, consegui, viva. Passei a ponte e
cheguei no posto de gasolina na entrada de Pelotas. O que fazer agora, sem farol,
com a moto pronta para apagar. Busquei o telefone do mecânico indicado pelos
guris da quinta e cadê minha carteira. Bateu, agora sim o desespero. Será que
esqueci em Rio Grande
(dinheiro, cartões, documentos). Procura em tudo que é bolso, até rasguei com a
ansiedade o bolso do foro da jaqueta (PQP%$@*#*/#$$%***...). Estava na cintura
da calça, graças a Deus. Liguei para o tal mecânico, que dava aula em uma
escola técnica aquela hora e não podia ajudar (aliás, pouco preocupado com a
nossa situação = nem posso condená-lo = não nos conhecia e estava aquela hora
com compromisso = eu é que necessitava desesperadamente de ajuda = na hora
fiquei com raiva do também por mim injustamente julgado pouco caso). Pensei em
deixar a moto no posto e voltar no dia seguinte para providenciar a ida até a
autorizada, mas não me agradou o fato de deixar a moto sozinha com
desconhecidos. Não admiti esta possibilidade. Consegui ligar a moto novamente,
pedi explicação de como chegar em algum hotel. A sugestão foi o Curi (já havíamos
pousado lá), mas como chegar sem luz, sem conhecer o caminho, com a moto
naquele estado, nem um pouco confiável. Sai e na primeia conversão que deveria
fazer a esquerda, ligo o pisca e pronto, novamente a moto apagou. Em questão de
300 metros,
fiquei empenhado no segundo posto. Agora sim para pegar teria que empurrá-la.
Mas como conduzir a moto no centro sem luz. Neste meio tempo o rapaz do posto
anterior, cruzou e nos viu parado. Se ofereceu para nos conduzirmos para o
hotel. Legal, embora, desconfiado que sou, sempre com o pé atrás me perguntava:
Nos levaria até o hotel? Não teria segundas intenções? Era muito solícito para
ser verdade. Porque tanto interesse em ajudar? Enfim seguimos sem luz pelas
ruas de Pelotas, guiados pelo rapaz, que em determinada altura atende o
celular. Ai, ai, ai... o que poderia ser esta ligação? Estaria chamando os
comparsas? Até que enfim chegamos no Hotel Curi. O rapaz, já se despedindo e
indo embora eu perguntei: - qual o teu nome? Daniel. Realmente, são estas
pessoas que podemos chamar de anjos. Certamente nunca mais veremos ou falaremos
com Daniel, e certamente, jamais ele saberá o quanto ele foi importante naquele
momento para um casal perdido e sem os devidos recursos em Pelotas. Realmente
o Daniel foi determinante e importantíssimo. Que Deus lhe pague em dobro e que
ele seja sempre muito feliz, e que eu não seja na próxima tão desconfiado e
preconceituoso. Mas acho que mereço perdão, depois do que passei. Check-aut
feito no hotel fomos para o quarto. Muito ruim, mas aquela altura do campeonato
era ouro. Tomamos um bom de um banho, e saímos para jantar. Depois de tanto
stress, resolvi que eu e Adelaide merecíamos um bom jantar. Comemos um saboroso
prato de massas em um restaurante em frente ao hotel, pizzaria Mama Mia,
acompanhados por uma Brahma Extra bem geladinha, para finalmente relaxar. Esta
também foi ouro. Recolhidos mais uma vez ao hotel, era hora de dormir. O dia
seguinte prometia. Teríamos que dar um jeito na Catarina.
09
de Setembro 08 – Primeiro dia em Pelotas
Acordamos,
tomamos café e fui procurar as autorizadas, ou a sugestão de mecânico dada
pelos rapazes da quinta. Resolvi chamar a autorizada, que em seguida chegou com
a camionete, colocou a Catarina em cima e foi até a oficina. Esta, ficava a
duas quadras do Hotel. Segui a pé, junto com Adelaide, até lá. Conversa vai
conversa vêm, os mecânicos e funcionários com as outras prioridades e tarefas.
Eu querendo resolver logo, ansioso para seguir viagem. Lembrando que já deveria
estar em POA, me preparando para um evento da empresa que iniciaria a tarde.
Finalmente, consegui convencer o pessoal da Honda, que precisaria resolver logo
a situação e começaram então a agilizar. Tira a bobina e leva para rebobinar a
tarde. Final do dia fica pronta, mas o pessoal achou que o retificador estava
esquentando muito (aquele dos R$ 586,00, que me atrasou por mais de 3 horas).
(PQP@3@*%%%$@@@*...). Queria sair cedo no dia seguinte, mas infelizmente
teríamos que averiguar isto também. Durante o dia dormimos, olhamos TV e passeamos
pelo centro de Pelotas. Deixei a moto lá para voltar no dia seguinte.
10
de Setembro 08 – Segundo dia em Pelotas e finalmente o retorno – 320 km.
Finalmente
a moto fica pronta. O aquecimento do retificador era alarme falso ou falta de
experiência do mecânico. Ele esquenta sim, mas em movimento refrigera com o ar
do deslocamento da moto. Saímos perto das 11:00 hs da manhã e pé na tábua. Já
era, mais do que hora de chegarmos em casa (dois dias de atraso). A viagem
seguiu tranqüila, até Porto Alegre, onde chegamos as 14:45 hs, após 1.600 km.
Ao
chegarmos, pensei o quanto a Adelaide foi parceira nesta aventura. Cheguei no
estacionamento do nosso condomínio, desliguei a moto, saltamos, tiramos o
capacete e emocionado perguntei a Adelaide:
-
Fez boa viagem?
E
logo em seguida, dei um abraço e um beijo e disse:
-
Muito obrigado pela parceria.
Ainda
no pátio as primeiras gotas de chuva, da tempestade que assolaria o Rio Grande
do Sul e causaria muitos estragos entre eles um pequeno tornado ou micro explosão,
fenômeno climático que lançou carros e caminhões para fora da estrada no
município de Tabaí, na RS 386, e causou enormes estragos em Nova Petrópolis e
vários outros municípios. Por pouco não pegamos esta tormenta no caminho.
Estávamos,
apesar das dificuldades e adversidades da viagem, felizes, eufóricos e já
planejando outras.
P.S:
Lá na casa do motoqueiro na localidade da Quinta (Rio Grande), conhecemos o
João Serra, grande figura, que nos disse que também estava programando uma
viagem para Ushuaia e já havia feito muitas outras grandes viagens com sua
esposa. Trocamos e.mail e assim que cheguei em POA me comuniquei com ele.
Conhecemos um novo amigo. Isto também é ouro.
Após essa viagem, Flaubiano, colega e amigo de empresa à Época, escreveu e publicou no informativo local o seguinte texto:
Os
sonhos são assim.Eles
dividem o ser humano em grupos distintos.
O
dos eternos sonhadores, lunáticos por
vezes, que nada fazem para transformar sonhos em realidade. Andam
pela vida sonhando e não realizando. Acalentando um sonho hoje, outro amanhã e
assim vão peregrinando pelo tempo, colecionando frustrações pela incapacidade
de transformá-lo em realidade.
Para
transformar sonho em felicidade é preciso ser um empreendedor da própria vida;
ser um visionário das próprias emoções; ser um guerreiro implacável contra as
próprias incredulidades do cotidiano.
Por
isto, as pessoas do primeiro grupo não conseguem vivenciar a suprema felicidade
da realização de um sonho, afinal, é preciso muito mais que sonhar para
realizar sonhos.
No
entanto, os sonhos também são capazes de criar os empreendedores e visionários
que desafiam a lei da impossibilidade;
que não acreditam nas limitações do FIM; que vestem armaduras contra os
inimigos do otimismo.
Só
estes conseguem vivenciar a indescritível alegria da realização de um sonho.
O
que pretendemos contar aqui, ainda que, sem a autorização expressa dos
protagonistas, é uma história de sonhos, desafios e aventuras.
Para
realizar um sonho aventureiro de percorrer 10 mil quilômetros de moto no final
do ano, o nosso colega Álvaro Link e sua esposa Adelaide começaram a se
preparar.
Logo
na primeira etapa do exercício de
preparação para a aventura maior, parece que o destino se encarregou de deixar
claro: realizar sonhos é privilégio dos guerreiros que não se abatem diante das
intempéries.
Foram
750 quilômetros
de chuva intensa, frio de congelar a alma e as inexperiências de um casal de
marinheiros de primeira viagem.
Este
foi o final de semana do Álvaro e da Adelaide. Deslocamento de moto até Punta
Del Este, onde o nosso atleta foi
participar de uma rústica.
Na
volta muitas histórias prá contar. Roupas molhadas na própria mochila; frio; estrada; moto com problemas mecânicos e
muitas outras dificuldades.
A
volta, no entanto, trouxe uma certeza: para realizar sonhos é preciso enfrentar
desafios, ultrapassar limites, superar barreiras.
Depois,
construir um novo sonho, afinal, os realizadores dos próprios sonhos estão
sempre renovando a sua capacidade de sonhar.