Adeus ao nosso Herói

Depois de muito lutar, nosso pai descansou. Após anos de um processo doloroso para a família, de distanciamento da consciência e presença do nosso pai entre nós, devido a progressão da Demência Cenil, e nos últimos dias, inconsciente decorrente de complicações de um engasgo, quando comia uma bergamota, que evoluiu para uma infecção pulmonar quando sua saturação baixou absurdamente e causou 4 paradas cardíacas e 14 minutos em paradas, e em todas elas ressuscitados, uma semana de UTI em Caxias do Sul, com tubos, furos e toda sorte de sofrimento, alguns dias no quarto, recebendo oxigênio e sofrendo com escarras, e com secreções, ele descansou.

Foram dias de idas e vindas a Caxias do Sul, de sofrimento, de angustia, de expectativa e de orações, especialmente para que Deus alcançasse ao nosso pai, o que pudesse ser melhor a ele. Oramos muito para que ele não sofresse.

E então, após 14 dias de luta, sobrevida e sofrimento, em um sábado, que levei a Adelaide para visita-lo, e após presenciar um horrível procedimento de retirada de secreção de seu pulmão e garganta, ele serena. Ele já estava melhorando e particularmente, embora os médicos nos desacreditassem, eu já começava a acreditar que ele voltaria para casa, e estaria do mesmo jeito que antes dos eventos.

Neste sábado, o Beto, que passou alguns dias com ele, e mora longe, teve um momento muito forte e carregado de emoção, quando ao se despedir, já prevendo a possibilidade de não o vê-lo mais, dá um Adeus, dizendo que o ama. E ele, milagrosamente, e extraordinariamente responde, “Eu te amo”.

Quando, nos despedimos do pai, ele, como falei, já sereno, aliviado das secreções, tentava dormir. Após fazer meus relatórios aos meus irmãos, falando exatamente que após o sofrimento das secreções e suas retiradas ele havia ficado tranquilo, recebi, a notícia que nosso pai havia descansado.

Nem 15 minutos nos separavam da nossa despedida.

Dei graças a Deus de não ter presenciado a sua partida.

De volta ao hospital, um corpo sem sangue, jazia no leito de tanto sofrimento.

Chorei então, lembrando de um tempo e de um pai que foi tão amado, e admirado, com seus defeitos, com sua humanidade.

Ali terminava um ciclo, e restavam as memórias.