Foram dias de idas e vindas a Caxias do Sul, de sofrimento, de angustia, de expectativa e de orações, especialmente para que Deus alcançasse ao nosso pai, o que pudesse ser melhor a ele. Oramos muito para que ele não sofresse.
E então, após 14 dias de luta,
sobrevida e sofrimento, em um sábado, que levei a Adelaide para visita-lo, e
após presenciar um horrível procedimento de retirada de secreção de seu pulmão
e garganta, ele serena. Ele já estava melhorando e particularmente, embora os
médicos nos desacreditassem, eu já começava a acreditar que ele voltaria para
casa, e estaria do mesmo jeito que antes dos eventos.
Neste sábado, o Beto, que passou
alguns dias com ele, e mora longe, teve um momento muito forte e carregado de
emoção, quando ao se despedir, já prevendo a possibilidade de não o vê-lo mais,
dá um Adeus, dizendo que o ama. E ele, milagrosamente, e extraordinariamente responde,
“Eu te amo”.
Quando, nos despedimos do pai,
ele, como falei, já sereno, aliviado das secreções, tentava dormir. Após fazer
meus relatórios aos meus irmãos, falando exatamente que após o sofrimento das
secreções e suas retiradas ele havia ficado tranquilo, recebi, a notícia que nosso pai havia descansado.
Nem 15 minutos nos separavam da
nossa despedida.
Dei graças a Deus de não ter
presenciado a sua partida.
De volta ao hospital, um corpo
sem sangue, jazia no leito de tanto sofrimento.
Chorei então, lembrando de um tempo
e de um pai que foi tão amado, e admirado, com seus defeitos, com sua humanidade.
Ali terminava um ciclo, e
restavam as memórias.