Vivemos em um tempo, com o advento das redes sociais, onde as imagens que são escolhidas para figurarem nos perfis, são dos locais “instagramáveis”.
Não havia escutado este termo ainda. Me explicaram serem os locais “construídos” ou ”escolhidos” para que os seus usuários possam tirar fotos bonitas, de cenários premeditados e que mostrem o quão feliz e especiais são. Resumindo: um faz de conta, que muito das vezes é vazio em significado, mas poderoso na insuflação do ego.
Mas hoje, decidi adotar um olhar atento às belezas escondidas no palco de nosso passeio e fotografá-las. Não quis mostrar a bagunça deixada pela última enchente em nossa cidade, o lixo acumulado por moradores indiferentes ao seu acúmulo, e os danos ao entorno por ambas situações.
Não são locais “instagramáveis”, mas sim comuns, com uma beleza peculiar e simples, e para que se mostrem belas, precisam de nossa conexão. Precisam de atenção, paciência e sensibilidade, para então conseguirmos distinguir pequenas pinturas em meio ao cotidiano às vezes belo, às vezes feio, daquilo que está ao nosso alcance, mas escondido do nosso olhar, em função da busca do “perfeito”, do “instagramável”.